O que é hotaru-de

Hotaru-de (lit. mão de vaga-lume) é um método no qual a peça que sofreu a perfuração (sukashi-bori) é banhada por esmalte e queimada. Em resumo, é a condição que se dá quando o buraco, primeiramente aberto na superfície da peça, é fechado com o uso do esmalte. O hotaru-de é considerado uma evolução ou aplicação do método de sukashi-bori.

A aparência dos feixes de luz que atravessam a peça lembra o brilho dos vaga-lumes e deu origem ao nome. Podemos ver exemplos mais antigos do hotaru-de vindos da Pérsia (atual Irã), no séc. XII, e a partir do séc. XV, na China, na dinastia Ming.

No Japão, podemos ver muito esse exemplo nas porcelanas de Arita e Hizen. As peças de porcelana nesses locais são, comparativamente, mais numerosas. Isso, talvez, porque a argila de porcelana é, como matéria-prima, mais própria para tampar buracos e linhas com o esmalte criando cortes finos, quase transparentes. Além disso, a porcelana apresenta translucidez, casando com o destaque da luz do hotaru-de. 

Devem ser prestados cuidados em relação à espessura da argila. Se, por acaso, o material-base for grosso, as marcas de perfuração ficam grandes e o esmalte não consegue cobrir por completo. Se for fino demais, mesmo com marcas pequenas de perfuração, o esmalte escorre mas não cobre o buraco.

Dessa maneira, as peças de hotaru-de devem ser bem tratadas com pequenos buracos e aplicadas com esmaltes de alta viscosidade (que escorrem pouco) e queimadas em alta temperatura. E para que o sukashi-bori realce, são aplicados esmaltes com alto grau de transparência.

  Ao fazer isso, a luz passa pelo esmalte mantendo seu brilho e fica um contraste interessante entre a sombra e a luz na peça. 

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fonte: saideigama.com

A técnica

Esta técnica destaca-se por pequenos orifícios, de 3 à 5 mm2 de superfície. Depois dos buracos serem perfurados e finalizados, o vaso é queimado em biscoito. As aberturas então são preenchidas com um esmalte com alto teor de feldspato, que é translúcido mas não é fluido. Uma fórmula de 85% de feldspato e entre 5 à 15% de esmalte transparente é o padrão. A suspensão do esmalte é espessada com ajuda de um aglutinante de xarope de alga (funori) ou goma.  Este esmalte é pincelado dentro dos buracos. A peça inteira é coberta por um esmalte transparente para ser então queimada.

Existem casos onde o sukashi-bori ocorre com a argila meio-seca e outros onde há a secagem completa. Isso é pensado de acordo com o número de perfurações. Por exemplo, se for em 2 à 3 lugares e buracos pequenos, não há problema se a peça estiver meio-seca.

Porém, se for o caso de ornamentação com diversos furos, como na imagem acima, com a peça meio-seca isso seria impossível. Isso porque ao abrir buracos precisos quando a base está mole a argila move-se e não se consegue trabalhar. Dessa maneira, supõe-se que essa peça de hotaru-de tenha sido perfurada com uma espécie de broca fina quando ela estava totalmente seca.

O tamanho do buraco fica entre 0,5mm até 2mm. Se for maior, fica difícil o preenchimento completo pelo esmalte. E quanto mais a peça sofre perfurações, sua resistência decai.

Porém, sendo porcelana, pode ser completamente queimada na região de altas temperaturas, de 1.200ºC à 1.300ºC. Assim, como dito antes, em termos de resistência, a porcelana adapta-se bem ao hotaru-de. O esmalte escolhido são os transparentes, que escorrem pouco e derretem sob altas temperaturas (esmaltes de alta queima). Combina com as argilas esbranquiçadas esmaltes que sejam de transparentes à levemente opacos.

Em suma, o hotaru-de é uma técnica que realça a passagem e interrupção de luz como efeito decorativo.

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