Olá! Depois de um tempo de recesso no blog, estou retornando com essa postagem sobre as porcelanas de Arita.

Espero que gostem! 🙂

Introdução

As porcelanas de Arita compreendem as peças queimadas nos arredores do vilarejo de Arita, distrito de Nishimatsuura, na província de Saga, na Região de Kyushū, no Japão. Como suas peças eram exportadas pelo porto de Imari, elas eram também chamadas de cerâmicas Imari.

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Região de Arita, no Japão. Fonte: Google Maps

A região desenvolveu o seu potencial de pólo de manufatura de porcelanas graças à chegada, na década de 1610, de um ceramista coreano que descobriu argila de porcelana na montanha local de Izumi. Foi a primeira região a produzir porcelana no Japão. Inicialmente, utilizava-se as técnicas de some-tsuke (desenhos azuis em fundo branco) tiradas como modelo as porcelanas chinesas de Jingdezhen.

Desenvolvimento das cerâmicas de Arita

Quando a cerâmica Imari estava em processo de desenvolvimento, ocorreu um bloqueio marítimo pela dinastia Qing chinesa, que tinha como objetivo extinguir a fonte de receitas dos antigos vassalos que serviam à dinastia deposta Ming. Por causa disso, a partir de 1640, os países do ocidente entraram em dificuldades para importar cerâmicas chinesas. Então, a Holanda, que tinha permissão de comércio com o Japão, voltou sua atenção às porcelanas de Imari. No início, as peças foram levadas para Europa como sendo feitas na China. Mas após o sucesso de aceitação das porcelanas de Imari em solo europeu, os produtores se sentiram confiantes no desenvolvimento de outras técnicas como a argila “nigoshi-de”, que conferia à peça um fundo branco leitoso, único no mundo.

A partir de 1640, começaram a trabalhar também com a técnica iro-e, que eram desenhos com cores sobre a porcelana. Na China, iro-e é chamado de Wukai (cinco cores) e era uma técnica que envolvia a pintura da peça queimada por esmaltes coloridos e feita uma queima final à temperaturas mais baixas. 

Nesse período, nasceu também o famoso estilo Kaki-e-mon, destinado para exportação, exercendo grande influência em todos os países da Europa.

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Prato em estilo Kakiemon

Por causa da predileção dos ocidentais pela porcelana iro-e, desse período em diante foram concentradas forças para o melhoramento dessa técnica e, na era de Genroku (1688 até 1704), foi adicionado a técnica conhecida por Kinrande. Traduzido literalmente, quer dizer “bordado dourado” (金襴手)e, como o nome indica, essa porcelana muitas vezes se diferenciava pelas suas decorações em ouro. Era um trabalho muito rebuscado mas com a divisão do trabalho e o uso do forno escalonado de câmaras adjacentes (renboshiki-kaidanjō noborigama) os produtores conseguiram responder à grande demanda apesar do trabalho requerido por peça ter sido substancialmente aumentado. O Kinrande, de desenho esplendoroso, era também muito apreciado pelas classes mais abastadas da burguesia japonesa. Houve um cenário tal que, quando a cerâmica Imari atingiu seu ápice também houve, por coincidência, o surgimento da esplendorosa cultura Genroku (Genroku bunka).

Apesar da produção nesse período ter sido voltada tanto para o mercado interno como para o externo, os produtos eram distintos. De uma forma geral, os “Kata-mono” produzidos em Arita eram voltados para o mercado japonês e serviam como louças de mesa de alto luxo, peças de ornamentação, pratos, tigelas, travessas, entre outros. Por outro lado, as peças produzidas para o mercado externo eram destinadas para a decoração dos majestosos palácios e ambientes da nobreza. Para se destacarem nesses ambientes, suas peças eram grandes e incluíam grandes vasos, grandes pratos, grandes recipientes tampados, etc.

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Prato em estilo Kinrande

Queda na demanda externa e porcelana para as massas

Ao entrar no séc. XVIII, houve a suspensão do bloqueio marítimo e as cerâmicas da dinastia Qing chinesa passaram a ser exportadas novamente. Por causa disso, houve uma queda na exportação das cerâmicas Imari. O mercado externo, que era o principal foco de vendas, foi trocado pelo doméstico e, enquanto usavam técnicas como kagatami-zuri (tipo de estêncil) e  konnyaku-han (hectografia), entre outras, foram empregados fornos de grande escala, aumentando a eficiência, passando a produzir em grande escala. Com isso, surgiu a porcelana de baixo valor e alta produção e, gradualmente, a cerâmica de Arita começou a atingir às massas.

Paralelamente, o clã Nabeshima, que pertence a região de Arita, à partir da segunda metade do séc. XVII, queimava no hanyou (forno feudal) as cerâmicas que presenteavam aos Daimyo e Shoguns. Essas são chamadas cerâmicas Nabeshima (Nabeshima yaki), e nela existiam some-tsuke, iro-e e, além disso, celadon, que eram poucas em Imari.  Nela, também, diferenciava-se da cerâmica Imari a sua beleza austera.

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