Olá! 😉

Provavelmente você já viu aqueles azulejos portugueses com decoração azul no fundo branco da faiança… Ou então lembra-se daquele típico vaso chinês de traços feitos por pincel na cor azul?

Pois bem, essa decoração em azul ocorre porque foi empregado um pigmento à base de cobalto. 

História

Compostos à base de cobalto têm sido usados por séculos para conferir uma cor azul vívida aos vidros, esmaltes e cerâmicas. O cobalto tem sido detectado em esculturas egípcias e joalherias persas desde o 3º milênio antes de Cristo, nas ruínas de Pompéia (destruída em 79 a.C.) e na China, datando desde a dinastia T’ang (618 – 907 a.C.).

No Japão, esse pigmento tradicional à base de cobalto chama-se gosu. Em 1510, um ceramista japonês, Gorodayu Shonzui, foi à China para estudar o processo de manufatura de porcelanas. Ele retornou após 5 anos e trouxe com ele argilas de porcelana e o gosu.

Na Europa, por influência do Oriente, houve uma busca pela pureza da porcelana e seus desenhos azuis em cobalto. Um dos precursores deste estilo foram as cerâmicas de Delft, na Holanda. Mais tarde, os ingleses e franceses lograram a produção de peças com desenhos rebuscados e adaptaram a pintura manual para o processo industrial com o uso de cópias por transferência.

Composição

Antigamente, não existiam os processos de purificação de elementos como os que existem hoje em dia. Isso significava que ao invés de os ceramistas utilizarem o elemento puro, eles empregavam o minério diretamente da jazida e o moía para preparar o pigmento. Esse material muitas vezes continha, além do cobalto, outros elementos como manganês, ferro, etc. e, apesar da existência dessas impurezas, o resultado final era muito satisfatório. Alguns críticos dizem, inclusive, que são superiores aos resultados do cobalto purificado industrialmente. O minério bruto tem uma cor azul verde escura. É triturado até virar pó, calcinado e umedecido com água no almofariz. Os desenhos são pintados com ele na cerâmica crua ou que recebeu a queima intermediária e o esmalte (muitas vezes transparente) é aplicado após o desenho. Por isso é chamado de baixo esmalte. Depois de queimado apresenta uma coloração índigo ou então quando é utilizado sobre esmaltes à base de ferro, apresenta uma cor azul.

Por conta da demanda e da escassez de reservas, esses minérios eram muito valiosos e seu uso era muito controlado. Na China, colocava-se um papel embaixo da peça a ser pintada, evitando qualquer desperdício. Hoje em dia, o cobalto ainda é um minério relativamente caro e suas jazidas mais importantes encontram-se na África. A maioria dos ceramistas compram o gosu sintético e sua composição é um tanto trabalhosa pois requer calcinação e moagem muito fina. Quantidades variáveis de óxido de cobalto, óxido de ferro, dióxido de manganês, níquel e caulim podem ser misturados ao cobalto para formar um pigmento de qualidade e força variáveis.

Como o cobalto decanta rapidamente quando misturado com a água, no oriente ao invés da água usa-se um extrato espesso de chá (cha-jiru em japonês) para ajudar a emulsionar o pigmento. 

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Acima: Diversas colorações do pigmento conhecido por Gosu vendido no Japão. Em sentido horário, Cha-gosu (Gosu castanho), Kaiheki-gosu (azul cobalto),  Tetsusabi-gosu (Gosu ferrugem), Ao-gosu (Gosu azul), Kuro-gosu (Gosu preto) e Midori-gosu (Gosu-verde). Fonte: http://www.tougei.com/shop/g/g715017/

Fontes:

  1. http://www.richardheeley.com/index.html/blue_%26_white.html
  2. https://kotobank.jp/word/%E5%91%89%E9%A0%88-64864
  3. http://www.umakato.jp/library/glossary/yougo02.html#ko
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